"Foi ter contigo e meus olhos foram tomados por um brilho e um encantamento muito tênues... Camuflei meu íntimo de disfarces fajutos -não sei se pela incapacidade de negar o olhar ou se pela insinuância sutil que talvez quisesse passar- , de modo que você, forasteiro de mim, veio preparado e sua percepção aguda entendia plenamente a estrela que nasceu. Sentia tão profundo que fechava os olhos e inspirava lentamente.
Assustou-me tanto a facilidade com que recebeu o brilho inteiro da minha estrela como a serenidade sua que surpreendia demasiadamente...
Muni-me. Mas este invasor chegou inteiro e adentrou meu ser, destemendo meu arsenal. Segurou com as e com uma brandura linda minhas armas e aplacou-me elogiando o olhar. Não escondi o apreço. Falei da minha admiração e ele correspondeu enaltecendo minhas mãos, falei do medo, do risco de acolher alguém, como com certeza eu faria se alimentássemos aquilo que nascia e ele me disse: "Não pensemos no futuro, sintamos o que inegavelmente reluz. Não concretizemos nada deixemos que a segurança chegue. -E quando a luz não mais assustar nos oriente em ações mágicas. Ao fim disto meus olhos resplandeceram ainda mais. Contive o riso.
Tudo foi feito. A luz tornou-se amiga e sua presença encantada. O receio insistia em ser minha companhia, mas depois do primeiro abraço -recheado de saudade que não sasciava mais e da sua reação desconcertante- enfrentá-lo tornou-se uma tarefa ridícula.
A vontade de você crescia subalimentada de sua voz acariciando meus ouvidos com palavras de elogio a minha companhia e suas mãos falando da delicadeza do meu rosto.
Este desconhecido veio mesmo elucidar um caminho fechado e eloquente, convenceu-me a caminhamos juntos. Aceitei com um beijo. Agora o sol me tocava a face sorrindo e assim com minha boca na sua, o meu ser descansava apoiado no seu.
Porfim, não sei se foi o floreser dos lírios que te assustou com alguma recordação, ou se os lírios só florescerm para mim. Não sei. Só sei que quando abaixei para colher um deles certa de que me esperava com olhar intenso, me enganei nas convicções. Você não estava a minha espera. Nem sua imagem era tão perceptível. Caminhou sozinho, um pouco para tras e parou, Eu e a flor te esperamos muito. Mas você esteve de costas todo esse tempo.
As lágrimas debruçaram-se nas pétalas brancas como uma gota de orvalho durante a neblina. Gritei adeus. Você apenas ergueu a cabeça, mas continuou de costas sem responder. Continuei a marcha sozinha pela estrada que amanheceu cinza e sem flores.
Foi quando os dias se passaram, os esperneios de meu coração acalmaram-se e a lua ergueu-se cheia e LUMINOSA, que pude ouvir ainda distantes seus passos mansos."
(Mirnah Leite)

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